terça-feira, outubro 26, 2021

Jovem com câncer raro na mandíbula aguarda vaga para realizar cirurgia: ‘Luta contra o tempo’

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Matheus Calvoso de Oliveira, de 17 anos, começou com uma afta na boca em 2020 e foi diagnosticado com osterssacoma de mandíbula em março deste ano. Jovem de 17 anos realizou quimioterapia, mas precisa ser encaminhado para um hospital que possa retirar o tumor, em Juquiá, SP

Arquivo Pessoal

Após descobrir um câncer raro na mandíbula, um jovem de 17 anos aguarda por uma cirurgia para remover o tumor e implantar uma prótese que ocupará o espaço de parte da ossada da face, em Santos, no litoral paulista. Em entrevista ao g1 nesta quinta-feira (30), o pai do jovem relatou se sentir desamparado pelas instituições públicas.

Matheus Calvoso de Oliveira, mora em Juquiá, no interior de São Paulo, com o pai, a irmã e a madrasta. Em novembro de 2020, o jovem percebeu a presença de uma afta na boca. Após alguns dias, como a ferida não melhorou, ele foi a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Os médicos diziam, segundo a família, que era uma afta que precisava ser removida. Em janeiro, o jovem foi encaminhado para um procedimento de retirada de uma massa no interior da boca, no Hospital Guilherme Álvaro, em Santos. No dia 31 de março, durante a cirurgia, os médicos detectaram que se tratava de um osterssacoma de mandíbula, um tipo de câncer ósseo raro.

Segundo o pai de Matheus, o operador Arivaldo França de Oliveira, de 55 anos, após o diagnóstico, o hospital esclareceu que o jovem precisa passar por uma cirurgia para remover o tumor e inserir uma prótese customizada no local. Porém, o hospital não possui a estrutura necessária para realizar o procedimento.

Desde então, Matheus começou a realizar um tratamento oncológico de quimioterapia, mas ainda não conseguiu ter acesso a um hospital que possa realizar a cirurgia necessária. Nesta quarta-feira (29), a família esteve em um hospital na capital paulista, que realizaria o procedimento. Mas, chegando lá, tiveram a notícia de que a unidade também não poderia retirar o tumor.

“Ele precisa de uma cirurgia. O médico diz que tem que ser feita em, no máximo, 60 dias. Nós fomos até São Paulo, cheios de esperança, e eles também disseram que não podem fazer. Foi um balde de água fria”, conta.
Após a retirada do câncer, Matheus também precisará de uma prótese customizada, que será implantada na face, para que o rosto não fique desfigurado e possua sustentação. Ele conta que o Sistema Único de Saúde (SUS), não cobre a aquisição da prótese, que custa cerca de R$ 80 mil.

Por isso, a família iniciou uma ação nas redes sociais para conseguir arrecadar o valor e, de acordo com o operador, com a ajuda das doações, estão próximos de atingirem a meta. Mesmo com a aquisição da placa, o que Matheus mais precisa é de um hospital que realize a cirurgia.

Toda a família está preocupada com a situação do jovem, que já perdeu vários dentes devido ao tumor. O jovem possui um histórico de câncer na família já que a avó materna e a mãe dele faleceram devido a um câncer de mama.
Nesta quinta-feira, Matheus encerrou mais uma sessão de quimioterapia e vai voltar para casa sem realizar a cirurgia.

“Não tem mais como ficar esperando. Meu filho precisa fazer essa cirurgia. Vou procurar meus direitos, porque sozinho eu não estou conseguindo resolver. Me sinto super desamparado pelas instituições, pelo Estado. Mas, essa é nossa luta, uma luta contra o tempo”.

Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo afirma que o jovem está sendo assistido e que os acompanhamentos e avaliações têm sido constantes. Confira o posicionamento na íntegra:

O caso do paciente M.C.O. está sendo monitorado e será encaminhado a serviço de referência. Vale ressaltar que o paciente tem recebido toda assistência necessária ao seu caso desde que passou por consulta na especialidade de odontologia buco maxilo no Hospital Guilherme Álvaro e foi encaminhado ao Hospital Santa Marcelina de Itaquera, referência em oncologia para crianças e adolescentes.

Neste serviço, os acompanhamentos e avaliações em oncologia pediátrica têm sido constantes. Toda conduta é tomada baseada em protocolos médicos. As orientações têm sido prestadas ao paciente e a unidade permanece à disposição para demais esclarecimentos.”

Câncer ósseo
Dados da Sociedade Brasileira de Cancerologia mostram que o tumor ósseo representa 2% das patologias oncológicas no Brasil, com uma incidência de aproximadamente 2.700 casos novos por ano. Ainda de acordo com a Sociedade, são registrados, em média, dois a três casos da doença a cada 1 milhão de habitantes.

Nas crianças e adolescentes, o tipo mais comum é o osteossarcoma. A causa específica da maioria dos tipos de câncer ósseo é desconhecida. Porém, acredita-se que ela esteja relacionada a um erro no DNA de algumas células, que faz com que haja uma mutação ou divisão celular de forma irregular.

FONTE: G1

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